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As Anita Malfatti em 120 obras

25 fev

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A São Paulo de 1917 ainda era muito provinciana para entender o que significava para a arte brasileira aquela exposição que acontecia na Rua Libero Badaró, 111. Ali, uma pintora que tentava esconder uma atrofia no braço direito, chamada Anita Malfatti, ousava mostrar para uma sociedade perplexa a mais pura arte expressionista. Somente cinco anos depois viria a assimilação do novo durante a revolucionária Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal, na qual foram expostas 22 de suas obras. No entanto, as críticas recebidas em suas primeiras investidas e a insatisfação com sua própria arte a perseguiriam por quase toda a vida.

A pressão da família, que não via futuro promissor para uma moça solteira deficiente e que não dava sinais de que poderia se tornar uma boa professora de arte, fez de Anita uma artista de muitas fases, inquieta, insegura e sempre incompreendida. Essa busca constante por se expressar livremente por meio dos pincéis permeia a Retrospectiva Anita Malfatti – 120 anos, que estreoub nacionalmente no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, de 22 de fevereiro a 25 de abril, e reúne as mais significativas obras da artista, ícone do modernismo brasileiro. É a mais importante retrospectiva já organizada sobre Anita, incluindo obras que raramente ou que nunca foram mostradas ao público.

“Sem dúvida ela foi a pioneira do modernismo no Brasil. A exposição de 1917 inspirou o movimento. Fala-se em Lasar Segall ou Belmiro de Almeida e Visconti como percussores, mas nenhum deles causou tanta polêmica. Ela teve repercussão. E quando a lenda ultrapassa o fato, publica-se a lenda”, afirma Luzia Portinari Greggio, que assina a curadoria da exposição.

Sobrinha de Cândido Portinari e sempre cercada por livros e quadros, seu interesse pela História e pela Filosofia da arte a levou até a vida e obra de Anita, o que lhe rendeu um prêmio de Estímulo de Curta-metragem da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2001, pelo roteiro do documentário “Anita Malfatti”. A pesquisa sobre a vida e obra da pintora também resultou no livro Anita Malfatti – tomei a liberdade de pintar a meu modo, em 2007. E agora, a exposição comemorativa.

Descoberta do expressionismo

Greggio reuniu 120 obras de diversos museus e de coleções particulares que mostram inúmeras e diferentes Anitas. A primeira delas (de 1909 a1914) é uma Anita naturalista-impressionista. Inclui o período em que ainda assinava como Babynha, como em seu primeiro quadro (Burrinho correndo – que estará exposto no CCBB), até o seu retorno de sua primeira viagem de estudos, quando esteve na Alemanha, onde o expressionismo explodia. Foi quando organizou sua primeira exposição individual em 1914. Essa fase reúne também algumas preciosidades como Meu irmão Alexandre e Mulher de vestido vermelho.

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Burrinho Correndo

A segunda Anita, mostra sua fase mais esplendorosa (1915 -1922). É quando vai para os Estados Unidos e se entrega ao expressionismo. “A trajetória de Anita é singular. Todo mundo ia estudar na França. Ela foi para Alemanha e depois para os Estados Unidos, onde tinha parentes. Foi lá onde ela desabrochou”, lembra a curadora. A pintora rompe com todas as regras acadêmicas tão apreciadas pelos seus familiares, como o tio Jorge Krug, que financiara seus estudos no exterior, e a mãe, pintora clássica, Betty Krug, presença constante, rígida e autoritária na sua vida.

Exposição de 17

Mesmo com o escrachado desapontamento dos parentes com a produção artística que trazia na bagagem em seu retorno ao Brasil, Anita faz a exposição de 1917, onde apresenta obras que hoje são consideradas as mais significativas de seu acervo como A boba, A amiga, O farol, A onda, O homem amarelo, Ventania. Também é desta época o primeiro nu cubista brasileiro. “Ela tinha noção que a exposição de 17 ia ser um escândalo. Tanto que resolveu deixar essa obra (Nu cubista I) de fora”, conta Greggio, que incluiu o quadro na mostra.

Seus mais profundos receios recebem contornos dramáticos quando uma crítica de Monteiro Lobato, publicada no jornal O Estado de São Paulo, com o título de A propósito de exposição Malfatti, provoca um efeito devastador na sua exposição. Seus quadros foram devolvidos, outros destruídos. O único a levantar em seu favor foi Oswald de Andrade, que a considerava uma inspiração para um grupo de artistas ansiosos em promover uma revolução na arte brasileira.

“Foi ela. Foram seus quadros que nos deram essa primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras. Pelo menos pra mim”, chegou a dizer Mario de Andrade em relação a Anita.

Retorno à ordem

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A Chineza

Depois da Semana de Arte Moderna de 1922, Anita parecia ter encontrado seu lugar no famoso Grupo dos Cinco ( grupo de notórios do modernismo que incluía, além dela, Oswald e Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Menotti del Picchia), mas parte, em agosto de 1923, para Paris, em nova viagem de estudos, desta vez financiada pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo. Surge neste período, que dura até o final dos anos 20, uma nova face da pintora. “É o chamado “retorno à ordem”, ocorrido no pós-Segunda Guerra. Anita sofre influências de Matisse, Bonnard, começa a pintar interior-exterior, nus, temas recorrentes da época”, explica a curadora. São representativos dessa época os quadros La chambre bleue, Chinesa e Interior de Mônaco, que na exposição estará ao lado de seus estudos I e 2.

Ao retornar ao Brasil, no final de 1928, apesar do abandono à irreverência que marcou sua fase nos EUA, ela faz uma nova exposição sem grandes resultados financeiros e decide, a partir daí, a adotar uma postura ainda menos polêmica. Surge uma Anita muito mais acadêmica. Alguns acreditam que por nunca ter se recuperado das críticas feitas por Lobato ao seu trabalho. A pintora volta a lecionar e desenvolve séries de florais e retratos — temas mais comerciais na época. “Todo movimento precisa ter uma vítima e um inimigo. Anita foi a vítima do modernismo brasileiro e o Lobato o vilão. Mas Anita tinha um relacionamento profissional com Lobato, que manteve depois da crítica. Mas de fato ela buscou, no seu retorno de Paris, a sobrevivência”, explica Greggio.

Pintando a seu modo

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Colheita de Algodão

O academicismo não agradou os companheiros modernistas. Ela chega a ter seu quadro Época da Colonização (1939), que acabou não vindo para a exposição do CCBB, recusado no Salão Oficial de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1940, o que provoca o rompimento definitivo com Mario de Andrade, a quem Anita atribuiu a recusa. O amigo, desde sua volta de Paris, cobrava de Anita um retorno ao seu estilo mais contundente.

Um ano após a morte de sua mãe, em 1955, Anita é convidada a expor no MASP e se mostra uma artista mais popular, exibindo suas últimas produções (1940-1950) – obras que refletiam os costumes e as belezas do interior brasileiro: Batizado na roça, Colheita de algodão, Casamento na roça e O baile são algumas de suas obras que expressam essa fase. “Tomei a liberdade de pintar ao meu modo”, era o nome da exposição e uma indicação de que as críticas não lhe importavam mais.

Cada vez mais recolhida em sua chácara em Diadema, Anita jamais parou de pintar e no final da vida dedicou-se aos temas religiosos. “A comemoração desses 120 anos de Anita vem para homenagear a ousadia da mulher em buscar seu sonho, em se encontrar. A percebo como um ícone injustiçado. Os contemporâneos, por conta de ciúmes, vaidade, talvez, atrapalham a avaliação na época de um talento como Anita. É por isso que muitos gênios são reavaliados e exaltados com o passar do tempo. Foi o caso dela.”

Exposição imperdível! Para adultos, crianças e adolescentes.

Retrospectiva Anita Malfatti – 120 anos
De 23 de fevereiro a 25 de abril de 2010
CCBB Brasília – Galerias 1 e 2
De terça a domingo, das 9h às 21h
SCES, Trecho 02, lote 22
Tel: 3310-7087
Entrada da gratuita
Classificação livre

 
 

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  1. Karina K

    26 de fevereiro de 2010 at 07:10

    Que expo bacana.
    Gostei.
    Bjs, karina K

     
  2. karynne passos

    18 de março de 2010 at 16:11

    ADOREI TUDO QUE A ANITA MALFATTI FEZ NOOOOOOSSA AGORA VOU CONTAR PRA GALERA PORQUE A PARTIR DE AGORA SOU FÃ DELA……………..

     
  3. Bruna

    6 de abril de 2010 at 14:21

    nossa que lindis essa
    foiiii muitao boa principalmente haa burrinho correndo

     
  4. renata

    28 de abril de 2010 at 11:03

    credo exposição mais podre

     
  5. Martha Mendes

    1 de maio de 2010 at 15:16

    Credo, gente mais doida!

     
  6. kamila ranyelle

    6 de maio de 2010 at 17:15

    MUITO LEGAL EU AMEI ME AMARRO EM ARTES

     
  7. marcinha

    20 de maio de 2010 at 01:18

    Amo Anita, pena que se envergonhou de sua pintura, de sua bela obra após críticas para lá de desconstrutivas de Monteiro Lobato!

     
  8. cintia

    18 de agosto de 2010 at 21:45

    Postagem excelente! Anita foi um ícone na história da nossa arte.

    Abçs

     
  9. thuane

    2 de dezembro de 2010 at 21:34

    muito interecante as obras delas as historias sao ilarias gostei

     
  10. gislene

    13 de dezembro de 2010 at 11:52

    essas obras sao muinto interessantes adoro olado do impressionismo