
Sou mãe, amo meus filhos, mas vou ser sincera: antes de engravidar, dizia que queria ter 10 cachorros, mas não queria ter bebês. Sempre achei que ter filhos era uma coisa muito complicada. E é.
Depois de casada, resisti muito aos pedidos do meu marido para que tivéssemos logo o primogênito. Ele não queria ser pai velho. Isso hoje faz todo o sentido pra mim. A tarefa exige dedicação, paciência, energia, resiliência e outros atributos que vão ficando escassos com a idade. A verdade é que engravidei duas vezes, com meus 20 e poucos anos, mas tive os filhos que quis e que pude criá-los: um casal. Ah! Não abri mão do cachorro! Um só, claro.
Antes da gravidez, meu instinto maternal não conseguiria uma classificação descente. E não me venha com esse papo que já dentro da barriga o amor pelo seu filho já vai se formando, que o sangue se encarrega desse vínculo… Comigo não foi assim. A ficha de que era mãe só caiu quando aquele bichinho abriu a boca e sugou meu peito desesperado. Esse foi o início do instinto maternal, aquele que faz você proteger a prole e arrancar o fígado daquele que a ameace, que te leva a alimentá-la e prestar-lhe atenção e cuidado. Esse é o mais puro sentimento animal, o de preservação da espécie.
No entanto, amor, amor mesmo, aquele que nos diferencia dos primatas, esse vem com a primeira dor de ouvido, ou cólica. Vêm com a noite de sono perdida, com o sorriso, com as primeiras gracinhas, as afinidades que vão surgindo, resultado da educação que eles vão recebendo e assimilando. E é assim que se formam mães e pais.
Esse amor não é imposto e nem automático. Se assim fosse, não haveria crianças abandonadas, pais negligentes, pedófilos ou ainda filhos voando pelas janelas de edifícios. Esse amor é incondicional. Surge pela cumplicidade do dia-a-dia, pelos traços de personalidade, pelas semelhanças que você vai aos poucos conhecendo e se reconhecendo.
Ser mãe é uma decisão solitária da mulher, mas não pode ser egoísta ou irresponsável. É uma decisão sem volta e que, portanto, exige um grau de maturidade e de coragem. Ter filhos é fácil. Fazê-los é mais fácil e divertido ainda. Mas educá-los, transformá-los em cidadãos éticos, essa sim é uma tarefa hercúlea. E será tão mais difícil quanto menor for a competência materna. Cria melhor quem erra menos e quem tem condições de dar e ser exemplo.
Assim, penso que o Dia das Mães não serve para todas as progenitoras, mas apenas para as que assumiram sua condição, independente das circunstâncias em que conceberam seus filhos. Esse dia é apenas para as mães fortes, as que se bastam; para as que são referências para seus filhos. Essas são mulheres que podem criar um, dois, 10… Podem criar até o filho dos outros, se a situação exigir.
Então, para essas, e somente para essas, vai o meu parabéns!!! Parafraseando o Casseta & Planeta…. Mãe é mãe, vaca é vaca.
(Ah! O desenho lá de cima foi feito pela Camila e foi escolhido na escola para ilustrar o cartão do dia das mães!)